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Síndrome musculoesquelética da menopausa

How the menopausal transition and oestrogen withdrawal drive joint, tendon and muscle symptoms — arthralgia, tendinopathy, frozen shoulder, greater trochanteric pain and myalgia — and the evidence on hormone therapy.

Uma mulher no meio de um alongamento.
A queda nos níveis de estrogênio durante a menopausa provoca um conjunto reconhecido de problemas nas articulações, tendões e ossos. Kieran Hirpara 4.0

Esta página foi traduzida automaticamente e ainda não foi verificada por um médico. A versão em inglês é a versão oficial.

O que você está sentindo

É provável que esteja sentindo dor articular, ou artralgia; mais da metade das mulheres apresentam esse sintoma na época da menopausa. Essa dor costuma piorar à medida que o corpo passa pela transição menopáusica. A queda nos níveis de estrogênio é um fator determinante nessa mudança. Você pode notar que seus músculos ficam mais rígidos. O estrogênio e a rigidez muscular têm uma relação inversa: menos estrogênio geralmente significa músculos mais tensos e menos flexíveis.

A dor pode aparecer em diversas regiões. A dor lombar é mais comum em mulheres na pós-menopausa do que em homens da mesma idade; isso está ligado às alterações fisiológicas decorrentes da redução dos hormônios sexuais. Você também pode sentir dor nos ombros; nesse período, aumenta o risco de rupturas silenciosas do manguito rotador. São lesões que talvez só sejam percebidas quando afetam a mobilidade.

As tarefas diárias podem se tornar difíceis. Esticar o braço para trás ou acima da cabeça pode parecer desconfortável e rígido. Pode ser mais difícil levantar objetos ou dormir de lado. Seu médico sabe que essas alterações são reais e comuns; elas não são fruto apenas da sua imaginação.

Os sintomas podem piorar à noite ou após atividades físicas. É comum acordar com rigidez muscular. As alterações nos níveis hormonais também podem influenciar a rigidez que sente nos músculos e tendões. Essa variabilidade faz com que alguns dias sejam melhores que outros.

É importante saber que você não está sozinha nisso. A prevalência de perda muscular, ou sarcopenia, é de 31% entre mulheres na pós-menopausa; essa perda contribui para a dor e a rigidez que você sente. Embora alguns tratamentos mostrem potencial, as evidências de que a terapia hormonal previne a necessidade de substituição articular são limitadas. Seu médico focará no controle dos seus sintomas específicos e na melhoria da sua qualidade de vida.

O que está realmente acontecendo

Durante a perimenopausa, o corpo passa por mudanças hormonais significativas que tornam as mulheres particularmente suscetíveis à dor musculoesquelética. Mais da metade das mulheres sentem dor articular, ou artralgia, nesse período. Esse desconforto tende a aumentar à medida que se avança na transição menopausal. O principal fator é a redução nos níveis de estrogênio; essa queda afeta não apenas as articulações, mas também os músculos e os ossos.

As articulações dependem da cartilagem para atuar como amortecedora entre as extremidades ósseas. Níveis mais baixos de estrogênio estão associados ao desenvolvimento da osteoartrite do joelho, que é uma forma de desgaste articular. Em alguns casos, isso se combina à osteoartrite osteoporótica, na qual o osso sob a cartilagem torna-se menos denso devido ao aumento da remodelação óssea. Essa alteração estrutural pode provocar rigidez e dor. A dor lombar também é mais comum em mulheres pós-menopausadas do que em homens da mesma idade, devido a essas mesmas mudanças fisiológicas nos hormônios sexuais.

Os músculos e tendões também são afetados. A rigidez muscular tem relação inversa com o estrogênio: níveis mais baixos resultam em tecidos mais tensos e menos flexíveis. Na verdade, o estrogênio e as propriedades musculares estão intimamente correlacionados. Essa alteração hormonal pode contribuir para a sarcopenia, ou seja, a perda de massa muscular. Em um estudo com mulheres pós-menopausadas, a prevalência de sarcopenia foi de 31%. Além disso, os tendões do ombro, como o supraespinhoso, possuem receptores para estrogênio e progesterona; quando esses níveis hormonais caem, as fibras tendinosas podem enfraquecer. Isso aumenta o risco de rupturas completas e assintomáticas do manguito rotador, nas quais as fibras tendinosas se separam totalmente. Tais rupturas são mais frequentes no período pós-menopausa e estão associadas a distúrbios metabólicos.

A articulação do ombro é envolvida por uma cápsula, que é uma estrutura de tecido responsável por manter a articulação unida. Níveis mais baixos de estrogênio podem elevar também o risco de desenvolver capsulite adesiva, ou ombro congelado, na qual essa cápsula se torna espessa e rígida. Embora a terapia de reposição hormonal possa oferecer alguma proteção contra essas condições, as evidências são variadas. Em última análise, a dor e a rigidez que você sente são consequências diretas das mudanças hormonais que afetam os tecidos responsáveis pelo seu movimento.

O que podemos fazer a respeito

A dor musculoesquelética é particularmente comum durante a transição perimenopausa. A artralgia afeta mais da metade das mulheres por volta da menopausa; esse aumento está relacionado à redução dos níveis de estrogênio. Você pode começar com autocuidado e fisioterapia; exercícios leves ajudam a manter a mobilidade e a força muscular. No caso da dor na articulação do polegar, a combinação de exercícios de facilitação neuromuscular proprioceptiva com treinamento de força é mais eficaz do que o treinamento de força isolado. Essa abordagem reduz a incapacidade funcional e melhora os movimentos. Se você sofre da síndrome da dor do grande trocânter e tem índice de massa corporal abaixo de 25, a combinação de terapia hormonal com exercícios e orientação educativa é superior ao uso de placebo. Dê tempo para que essas medidas conservadoras surtam efeito; a regularidade é fundamental para obter melhorias no seu conforto diário.

Entre as opções médicas estão analgésicos e anti-inflamatórios. A terapia hormonal também é uma alternativa, porém traz vantagens e riscos. O estrogênio e os moduladores seletivos dos receptores de estrogênio podem beneficiar pacientes na pós-menopausa com artrose em estágio inicial ou artrose osteoporótica. Contudo, o uso prolongado da terapia hormonal menopausal sistêmica, especialmente a terapia com estrogênio isolado, está associado a maior risco de dor lombar crônica. O estrogênio isolado demonstra tendência protetora contra o surgimento de artrose por desgaste na articulação do joelho; porém, há poucas evidências de efeito protetor semelhante contra a incidência de artrose no quadril ou necessidade de artroplastia. A suplementação de estradiol pode trazer melhores resultados após a reparação do manguito rotador, embora as diferenças nos escores de dor e função não tenham atingido o limiar mínimo clinicamente relevante. Converse com seu médico sobre esses benefícios e riscos para encontrar o equilíbrio adequado para você.

Se os sintomas permanecerem graves apesar dessas medidas, procure orientação especializada. Seu médico poderá encaminhá-lo para uma avaliação mais aprofundada. Exames de imagem podem identificar problemas como rupturas completas e assintomáticas do manguito rotador, que são mais frequentes na pós-menopausa. Em alguns casos específicos, um procedimento cirúrgico pode ser considerado caso o tratamento conservador não surta efeito; essa decisão depende do seu perfil de saúde e da gravidade da dor. Seu médico orientará sobre os próximos passos, levando em conta o que melhor se adapta ao seu corpo e ao seu estilo de vida.

O que esperar

A dor musculoesquelética é comum durante a transição perimenopausa. Mais da metade das mulheres sente dor articular (artralgia) por volta da menopausa; esse número aumenta à medida que os níveis de estrogênio diminuem. Você pode notar que a dor lombar é mais frequente em mulheres pós-menopáusicas do que em homens da mesma idade; isso está relacionado à redução dos níveis de hormônios sexuais após a menopausa.

O prognóstico depende de como você lida com essas alterações. Em alguns casos, como na artrose em estágio inicial, o estrogênio ou medicamentos moduladores do estrogênio podem ser benéficos; esses tratamentos também ajudam quando há redução da densidade óssea. Contudo, o uso prolongado de terapia hormonal sistêmica, especialmente a terapia com estrogênio isolado, está associado a maior risco de dor lombar crônica. Há poucas evidências de que o estrogênio isolado evite a necessidade de artroplastia de quadril ou de outras articulações; por outro lado, ele demonstra tendência protetora contra a artrose do joelho, conforme observado em exames de raio-X.

Em caso de rupturas do manguito rotador, essas lesões são mais comuns no período pós-menopausa e estão ligadas a distúrbios metabólicos. A suplementação com estradiol pode trazer melhores resultados após a reparação do manguito rotador, embora a diferença nos índices de dor possa não ser perceptível para você. Para a artrose do polegar, a combinação de exercícios de alongamento específicos com treinamento de força é mais eficaz do que o treinamento de força isolado; isso reduz a incapacidade funcional e melhora a mobilidade.

Se você sofre da síndrome da dor do grande trocânter e tem peso saudável (IMC <25), a combinação de terapia hormonal com exercícios físicos e orientação educativa traz melhores resultados do que o uso de placebo. A sarcopenia (perda muscular relacionada à idade) afeta cerca de 31% das mulheres pós-menopáusicas que vivem na comunidade; isso pode limitar sua atividade física.

Em geral, seu médico elaborará um plano personalizado conforme seus sintomas específicos. Algumas dores podem melhorar com terapias direcionadas; outras, como a dor lombar crônica decorrente do uso prolongado de hormônios, podem persistir. Seja sincera quanto ao nível de dor que sente; ter expectativas realistas ajudará a lidar com essa transição. Seu corpo está mudando, mas você tem opções para permanecer ativa e confortável.

Quando procurar ajuda médica

A perimenopausa é um período em que as mulheres ficam particularmente predispostas ao desenvolvimento de dor musculoesquelética. Mais da metade das mulheres na época da menopausa apresenta artralgia. A prevalência da artralgia parece aumentar durante a transição menopausal. A dor lombar é mais comum em mulheres pós-menopáusicas do que em homens da mesma idade. Consulte seu médico se sentir dor persistente que não melhora com o repouso, fraqueza ou instabilidade, sensação de “travar” ou perda de controle articular, sintomas que interferem no sono ou no trabalho, ou piora súbita da dor. O uso prolongado de terapia hormonal sistêmica na menopausa está associado a um risco maior de dor lombar crônica. A suplementação de estradiol esteve relacionada a melhores resultados em mulheres pós-menopáusicas submetidas à reparação do manguito rotador.

Em maior profundidade

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Esta seção vai além do que você precisa saber para tomar decisões sobre seu próprio tratamento. Foi escrita para o leitor que deseja conhecer as evidências científicas em si; vale a pena o esforço extra, pois a inferência óbvia — de que, se a queda nos níveis de estrogênio prejudica o tecido musculoesquelético, então sua reposição deveria corrigir esse dano — não é o que a literatura científica demonstra.

Esse conjunto de sintomas agora tem um nome. Em 2024, foi formalmente descrito como a síndrome musculoesquelética da menopausa, reunindo artralgia, perda de massa muscular, diminuição da densidade óssea e progressão da osteoartrite sob uma única causa: a queda abrupta dos níveis de estrogênio durante a transição [1]. Cerca de 47 milhões de mulheres passam por essa transição a cada ano; mais de 70% desenvolvem sintomas musculoesqueléticos, e 25% ficam incapacitadas por eles [1].

Dois números desse estudo merecem destaque: a prevalência geral da dor musculoesquelética em mulheres na perimenopausa é de aproximadamente 71%, e 40% das mulheres com esses sintomas não apresentam alterações estruturais nos exames de imagem [1]. Um exame de imagem normal não significa que não haja problema; na verdade, esse é o resultado esperado para uma grande parcela das pacientes.

Os autores agrupam os mecanismos dessa síndrome em cinco processos, o que é uma abordagem mais útil do que simplesmente listar os sintomas: inflamação (artralgia, dor articular, ombro congelado), sarcopenia (equilíbrio precário, quedas, perda de resistência física), redução na proliferação de células satélites (impedindo a regeneração muscular), osteoporose (perda de altura, postura curvada, fraturas por baixo impacto) e artrite (dor e rigidez articular) [1]. Dar um nome a essa condição é importante, pois historicamente esses problemas eram avaliados individualmente, em cada articulação, por diferentes profissionais, sem que nenhum deles percebesse o padrão geral.

O que o estrogénio realmente faz no tecido

Os recetores de estrogénio estão presentes nos tendões, músculos, cartilagem e sinóvio; portanto, a privação de estrogénio não afeta apenas os ossos. Contudo, o seu efeito nos tendões é mais específico do que uma simples diminuição geral da função tecidual.

Ao comparar diretamente o envelhecimento e a deficiência de estrogénio no tendão do manguito rotador, verificou-se que o envelhecimento reduziu a expressão de ambos os principais tipos de colagénio e da elastina, enquanto a deficiência de estrogénio reduziu seletivamente apenas a elastina, deixando os genes do colagénio inalterados [2]. O colagénio funciona como uma “corda”; a elastina, como o mecanismo de recuperação da forma original. Isso corresponde ao que as pessoas descrevem: não se trata de um tendão que se tornou fraco, mas sim de um tendão que ficou rígido e menos flexível.

Existem ainda três mecanismos frequentemente apontados para explicar a própria dor articular: o estrogénio suprime normalmente a produção de citocinas inflamatórias, pelo que a sua ausência permite o surgimento de um estado inflamatório leve; o estrogénio tem um efeito analgésico direto, pelo que a sua perda diminui o limiar de dor, independentemente de qualquer dano tecidual; e a aceleração da renovação óssea também contribui para o desconforto [3].

O experimento natural mais claro

As evidências causais mais sólidas não provêm, de forma alguma, da pesquisa sobre a menopausa. Os inibidores da aromatase, utilizados no tratamento do câncer de mama, provocam uma privação deliberada e intensa de estrogênio; as consequências musculoesqueléticas dessa situação foram cuidadosamente mensuradas.

Em 21 estudos envolvendo 13.177 mulheres, a prevalência agregada da artralgia induzida por inibidores da aromatase foi de 45,9% [4]. Cerca de 9,3% das mulheres interrompem o tratamento oncológico, que de outra forma seria eficaz, por causa desse efeito colateral [4]. Vale ressaltar que a artralgia é predominantemente não inflamatória: as articulações doem, mas não apresentam os sinais típicos de artrite inflamatória [3].

Esse é o experimento mais próximo do ideal que se pode realizar nessa área. Ao remover abruptamente o estrogênio, aproximadamente metade das mulheres desenvolve dor articular; essa dor é real, comum e não se explica por nenhuma doença inflamatória. Esse paralelo é explicitamente mencionado no artigo fundamental sobre o tema, que destaca que o aumento da incidência de artralgia ocorre tanto após o uso de inibidores da aromatase quanto após a interrupção repentina da terapia hormonal na menopausa [1] – duas vias distintas que levam à mesma perda abrupta de estrogênio, resultando no mesmo sintoma. Esse é o melhor argumento para levar a menopausa a sério, em vez de considerá-la apenas um fenômeno natural do envelhecimento.

As condições que se agrupam em torno dessa síndrome

A dor no ombro torna-se significativamente mais comum após a menopausa. Em um estudo transversal com 21.095 participantes, a dor no ombro foi mais prevalente entre mulheres na menopausa do que entre as não menopausadas; a duração do sono e os marcadores inflamatórios foram alguns dos fatores associados [5].

O ombro congelado é claramente incluído nessa síndrome no artigo de referência, que o classifica no grupo inflamatório, ao lado da artralgia e da dor articular. O artigo recomenda que, em mulheres de meia-idade que apresentam capsulite adesiva, se considere a possibilidade da existência da síndrome como um todo, em vez de tratar apenas o ombro isoladamente [1].

Vale esclarecer a força dessa relação. Os fatores de risco para a capsulite adesiva que foram replicados independentemente são diabetes, doenças da tireoide e hiperlipidemia; um estudo de associação genômica ampla identificou uma contribuição genética de magnitude comparável aos efeitos do diabetes e do hipotireoidismo, envolvendo a via Wnt [6]. A menopausa, porém, não se encontra entre esses fatores bem comprovados. Portanto, o mecanismo proposto — a queda dos níveis de estrogênio permitindo o estado inflamatório — é plausível e coerente com os dados sobre artralgia; contudo, a ligação entre menopausa e ombro congelado baseia-se atualmente nessa lógica, e não em evidências epidemiológicas tão robustas quanto as relativas ao diabetes.

Existe também uma sobreposição com a dor generalizada, que merece ser mencionada, pois atua em ambos os sentidos. Os sintomas da fibromialgia geralmente começam por volta da menopausa, tendem a ser mais intensos após esse período e podem piorar após histerectomia, com ou sem remoção dos ovários [17]. As listas de sintomas das duas condições têm grande sobreposição. Contudo, a fibromialgia também ocorre em mulheres não menopausadas e em homens; logo, os hormônios sexuais não podem ser o único mecanismo envolvido. A conclusão da revisão é que ambas as condições devem ser reconhecidas e tratadas como problemas distintos, em vez de serem agrupadas como uma única doença [17]. Na prática, isso significa que a dor generalizada em mulheres de meia-idade não deve ser atribuída automaticamente à menopausa; consulte nossa página sobre fibromialgia.

A reposição de estrogênio ajuda?

É aqui que a intuição falha mais, e a resposta varia conforme o parâmetro avaliado.

No que diz respeito aos tendões, os dados indicam o oposto do esperado. Em uma coorte nacional com 127.672 mulheres com 45 anos ou mais, submetidas a análise de escore de propensão, a terapia de reposição hormonal sistêmica esteve associada a uma taxa maior de lesões tendinosas e a maior probabilidade de necessidade de reparo cirúrgico [7]. Em outra coorte prospectiva composta por 6.007 mulheres, o uso prolongado de terapia hormonal — especialmente de formulações contendo apenas estrogênio — aumentou o risco de dor lombar crônica [8].

Quando aplicada diretamente no local da cirurgia, os benefícios são reais, porém modestos. Entre 184 mulheres na pós-menopausa submetidas a reparo do manguito rotador, a suplementação com estradiol resultou em melhora nos índices de dor e na funcionalidade do ombro; contudo, essas diferenças não atingiram o limiar capaz de ser percebido pela paciente [9]. Até o momento, pesquisas sobre a aplicação local de estradiol no local da lesão, em vez de via sistêmica, alcançaram apenas a fase de prova de conceito em animais [10].

Tais estudos são observacionais, e as mulheres que utilizam terapia hormonal diferem sistematicamente daquelas que não a utilizam. Nada disso constitui motivo para interromper a terapia hormonal, que é indicada por razões clínicas importantes não relacionadas aos tendões. O que isso significa, porém, é que não se deve esperar que a terapia hormonal proteja os tendões; além disso, qualquer dor nova no ombro ou cotovelo após seu início merece avaliação, em vez de ser considerada como algo sem relação com o tratamento.

Durante o período cirúrgico, os resultados se dividem

A literatura perioperatória é verdadeiramente contraditória, e essa contradição é informativa: as complicações médicas e as complicações relacionadas aos implantes seguem tendências opostas.

No aspecto médico, a reposição de estrogênio parece ter efeito protetor. Em um grupo de 2.554.672 pacientes submetidos à artroplastia total de articulações, a terapia de reposição de estrogênio esteve associada a uma redução do risco de tromboembolismo venoso e a menos complicações médicas graves [11]. Entre 21.220 mulheres submetidas à artroplastia total do quadril, a terapia hormonal pré-operatória esteve associada a menos fraturas periprotéticas após dez anos, sem aumento do risco de tromboembolismo [12].

No que diz respeito aos implantes, a tendência se inverte. Em um estudo com 3.558 pacientes submetidos à artroplastia total do ombro – procedimento ortopédico de membro superior mais relevante nesse contexto –, a reposição de estrogênio esteve associada a um aumento a longo prazo das cirurgias de revisão e das complicações mecânicas [13]. Outro estudo constatou taxas mais elevadas de revisão cirúrgica e infecção da articulação periprotética em pacientes que receberam reposição de estrogênio no período perioperatório [14].

A conclusão prática extraída de uma revisão sistemática é mais moderada que os extremos citados: preparações transdérmicas sem estrogênio não devem ser suspensas antes de artroplastias eletivas; por outro lado, ainda não há evidências suficientes para determinar se a suspensão de preparações contendo estrogênio é necessária ou não [15]. Caso você esteja em tratamento hormonal e vá se submeter a uma cirurgia, essa decisão deve ser tomada em conjunto com seu cirurgião e seu médico prescritor, e não unilateralmente.

O que realmente se sabe que ajuda

As evidências mais úteis são as menos “glamourosas”. Em um ensaio randomizado com mulheres na pós-menopausa que sofrem de artrite na base do polegar, a adição de técnicas de facilitação neuromuscular proprioceptiva — padrões de movimento guiados que treinam a coordenação, e não a força bruta — a um programa de fortalecimento muscular superou os resultados do treino de força isolado no que diz respeito à dor, à incapacidade, à mobilidade e à força de preensão [16].

Esse é, em geral, o perfil das evidências disponíveis: exercícios direcionados e supervisionados têm seu lugar legítimo. As explicações hormonais são melhores para justificar por que o tecido sofre alterações do que para nos dizer o que fazer quando isso acontece.

Referências

[1] Wright VJ, Schwartzman JD, Itinoche R, Wittstein J. A síndrome musculoesquelética da menopausa. Climacteric. 2024;27(5):466-72. https://doi.org/10.1080/13697137.2024.2380363

[2] Matsumoto M, Uchida K, Tazawa R, Kenmoku T, Inoue K, Inoue G, Takaso M. Impacto do envelhecimento e da deficiência de estrogênio na expressão gênica relacionada à matriz extracelular nos tendões do manguito rotador: modelo in vitro e in vivo em ratos. JSES Int. 2025;9(5):1555-61. https://doi.org/10.1016/j.jseint.2025.05.021

[3] Grigorian N, Baumrucker SJ. Dor musculoesquelética associada aos inibidores da aromatase: visão geral da fisiopatologia e das modalidades de tratamento. SAGE Open Med. 2022;10. https://doi.org/10.1177/20503121221078722

[4] Beckwée D, Leysen L, Meuwis K, Adriaenssens N. Prevalência da artralgia induzida por inibidores da aromatase no câncer de mama: revisão sistemática e meta-análise. Support Care Cancer. 2017;25(5):1673-86. https://doi.org/10.1007/s00520-017-3613-z

[5] Wang X, Zhu Y, Zhu Q. Prevalência e fatores associados à dor no ombro em pacientes diabéticos e mulheres na menopausa. J Orthop Surg Res. 2025;20(1). https://doi.org/10.1186/s13018-025-06546-w

[6] Kulm S, Langhans MT, Shen TS, Kolin DA, Elemento O, Rodeo SA. Estudo de associação genômica ampla sobre a capsulite adesiva sugere fatores genéticos de risco significativos. J Bone Joint Surg Am. 2022;104(21):1869-76. https://doi.org/10.2106/JBJS.21.01407

[7] Bcharah G, Cancio-Bello A, Iturregui-Pastrana JM, Elsabbagh Z, Le Y, Nguyen C, et al. Associação entre a terapia de reposição hormonal e a incidência de lesões tendinosas e necessidade de reparo cirúrgico em mulheres na perimenopausa: estudo de coorte nacional com pareamento por escore de propensão. Orthop J Sports Med. 2026;14(5). https://doi.org/10.1177/23259671261428457

[8] Heuch I, Heuch I, Hagen K, Storheim K, Zwart J. Terapia hormonal na menopausa, contraceptivos orais e risco de dor lombar crônica: estudo HUNT. BMC Musculoskelet Disord. 2023;24(1). https://doi.org/10.1186/s12891-023-06184-5

[9] Percin B, Wang JC, Joyce CC, Welt C, Tashjian RZ, Chalmers PN. A suplementação de estradiol melhora os resultados do reparo do manguito rotador em mulheres na pós-menopausa? JSES Rev Rep Tech. 2026;6(2):100642. https://doi.org/10.1016/j.xrrt.2025.100642

[10] Chalmers PN, Jurynec MJ, Hickey AM, Fallin TW, Zelada AC, Honeggar M, et al. Deposição local de estradiol em modelo de reparo do manguito rotador em ratos: prova de conceito. JSES Int. 2025;9(4):1164-71. https://doi.org/10.1016/j.jseint.2025.03.004

[11] Zhao S, Kelly M, Smith S, Heckmann ND, Schabel K, Lieberman E, et al. A terapia de reposição de estrogênio reduz o risco de tromboembolismo venoso e complicações médicas após artroplastia total de articulações. J Arthroplasty. 2025;40(11):2995-9.e1. https://doi.org/10.1016/j.arth.2025.05.027

[12] Zhao AY, Oguejiofor A, Harris AB, Wang K, Gu A, Melvin JS, et al. A terapia de reposição hormonal em mulheres na pós-menopausa submetidas à artroplastia total de quadril está associada a menores taxas de fratura periprotética. J Arthroplasty. 2025;40(7):1772-6.e1. https://doi.org/10.1016/j.arth.2024.12.020

[13] Mousavi SZ, Harris ER, Agarwal S, Saha P, Glenn ER, Fox HM, Srikumaran U. Impacto da terapia de reposição de estrogênio nos resultados após artroplastia total do ombro: análise com pareamento por propensão. JSES Int. 2025;9(4):1345-51. https://doi.org/10.1016/j.jseint.2025.04.022

[14] Collins LK, Cole MW, Waters TL, Iloanya M, Massey PA, Sherman WF. A terapia de reposição hormonal não elimina os fatores de risco para complicações articulares após artroplastia total. Pathophysiology. 2023;30(2):123-35. https://doi.org/10.3390/pathophysiology30020011

[15] Abouharb AL, Mehta S, Rathnayake H, Pandit H. Suspender a terapia de reposição hormonal antes da artroplastia total para reduzir o risco de tromboembolismo venoso: revisão sistemática. J Arthroplasty. 2024;39(2):541-8.e24. https://doi.org/10.1016/j.arth.2023.08.061

[16] Campos-Villegas C, Pérez-Alenda S, Carrasco JJ, Igual-Camacho C, Tomás-Miguel JM, Cortés-Amador S. Eficácia da terapia de facilitação neuromuscular proprioceptiva e do treinamento de força em mulheres na pós-menopausa com osteoartrite carpometacarpal do polegar. Um ensaio randomizado. J Hand Ther. 2024;37(2):172-83. https://doi.org/10.1016/j.jht.2022.07.005

[17] Vidal-Neira LF, Neyro JL, Maldonado G, Messina OD, Moreno-Alvarez M, Ríos C. Climatério e fibromialgia: uma revisão. Climacteric. 2024;27(5):458-65. https://doi.org/10.1080/13697137.2024.2376190


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i. NonCommercial means not primarily intended for or directed towards commercial advantage or monetary compensation. For purposes of this Public License, the exchange of the Licensed Material for other material subject to Copyright and Similar Rights by digital file-sharing or similar means is NonCommercial provided there is no payment of monetary compensation in connection with the exchange.

j. Share means to provide material to the public by any means or process that requires permission under the Licensed Rights, such as reproduction, public display, public performance, distribution, dissemination, communication, or importation, and to make material available to the public including in ways that members of the public may access the material from a place and at a time individually chosen by them.

k. Sui Generis Database Rights means rights other than copyright resulting from Directive 96/9/EC of the European Parliament and of the Council of 11 March 1996 on the legal protection of databases, as amended and/or succeeded, as well as other essentially equivalent rights anywhere in the world.

l. You means the individual or entity exercising the Licensed Rights under this Public License. Your has a corresponding meaning.

Section 2 -- Scope.

a. License grant.

1. Subject to the terms and conditions of this Public License, the Licensor hereby grants You a worldwide, royalty-free, non-sublicensable, non-exclusive, irrevocable license to exercise the Licensed Rights in the Licensed Material to:

a. reproduce and Share the Licensed Material, in whole or in part, for NonCommercial purposes only; and

b. produce, reproduce, and Share Adapted Material for NonCommercial purposes only.

2. Exceptions and Limitations. For the avoidance of doubt, where Exceptions and Limitations apply to Your use, this Public License does not apply, and You do not need to comply with its terms and conditions.

3. Term. The term of this Public License is specified in Section 6(a).

4. Media and formats; technical modifications allowed. The Licensor authorizes You to exercise the Licensed Rights in all media and formats whether now known or hereafter created, and to make technical modifications necessary to do so. The Licensor waives and/or agrees not to assert any right or authority to forbid You from making technical modifications necessary to exercise the Licensed Rights, including technical modifications necessary to circumvent Effective Technological Measures. For purposes of this Public License, simply making modifications authorized by this Section 2(a) (4) never produces Adapted Material.

5. Downstream recipients.

a. Offer from the Licensor -- Licensed Material. Every recipient of the Licensed Material automatically receives an offer from the Licensor to exercise the Licensed Rights under the terms and conditions of this Public License.

b. No downstream restrictions. You may not offer or impose any additional or different terms or conditions on, or apply any Effective Technological Measures to, the Licensed Material if doing so restricts exercise of the Licensed Rights by any recipient of the Licensed Material.

6. No endorsement. Nothing in this Public License constitutes or may be construed as permission to assert or imply that You are, or that Your use of the Licensed Material is, connected with, or sponsored, endorsed, or granted official status by, the Licensor or others designated to receive attribution as provided in Section 3(a)(1)(A)(i).

b. Other rights.

1. Moral rights, such as the right of integrity, are not licensed under this Public License, nor are publicity, privacy, and/or other similar personality rights; however, to the extent possible, the Licensor waives and/or agrees not to assert any such rights held by the Licensor to the limited extent necessary to allow You to exercise the Licensed Rights, but not otherwise.

2. Patent and trademark rights are not licensed under this Public License.

3. To the extent possible, the Licensor waives any right to collect royalties from You for the exercise of the Licensed Rights, whether directly or through a collecting society under any voluntary or waivable statutory or compulsory licensing scheme. In all other cases the Licensor expressly reserves any right to collect such royalties, including when the Licensed Material is used other than for NonCommercial purposes.

Section 3 -- License Conditions.

Your exercise of the Licensed Rights is expressly made subject to the following conditions.

a. Attribution.

1. If You Share the Licensed Material (including in modified form), You must:

a. retain the following if it is supplied by the Licensor with the Licensed Material:

i. identification of the creator(s) of the Licensed Material and any others designated to receive attribution, in any reasonable manner requested by the Licensor (including by pseudonym if designated);

ii. a copyright notice;

iii. a notice that refers to this Public License;

iv. a notice that refers to the disclaimer of warranties;

v. a URI or hyperlink to the Licensed Material to the extent reasonably practicable;

b. indicate if You modified the Licensed Material and retain an indication of any previous modifications; and

c. indicate the Licensed Material is licensed under this Public License, and include the text of, or the URI or hyperlink to, this Public License.

2. You may satisfy the conditions in Section 3(a)(1) in any reasonable manner based on the medium, means, and context in which You Share the Licensed Material. For example, it may be reasonable to satisfy the conditions by providing a URI or hyperlink to a resource that includes the required information.

3. If requested by the Licensor, You must remove any of the information required by Section 3(a)(1)(A) to the extent reasonably practicable.

4. If You Share Adapted Material You produce, the Adapter's License You apply must not prevent recipients of the Adapted Material from complying with this Public License.

Section 4 -- Sui Generis Database Rights.

Where the Licensed Rights include Sui Generis Database Rights that apply to Your use of the Licensed Material:

a. for the avoidance of doubt, Section 2(a)(1) grants You the right to extract, reuse, reproduce, and Share all or a substantial portion of the contents of the database for NonCommercial purposes only;

b. if You include all or a substantial portion of the database contents in a database in which You have Sui Generis Database Rights, then the database in which You have Sui Generis Database Rights (but not its individual contents) is Adapted Material; and

c. You must comply with the conditions in Section 3(a) if You Share all or a substantial portion of the contents of the database.

For the avoidance of doubt, this Section 4 supplements and does not replace Your obligations under this Public License where the Licensed Rights include other Copyright and Similar Rights.

Section 5 -- Disclaimer of Warranties and Limitation of Liability.

a. UNLESS OTHERWISE SEPARATELY UNDERTAKEN BY THE LICENSOR, TO THE EXTENT POSSIBLE, THE LICENSOR OFFERS THE LICENSED MATERIAL AS-IS AND AS-AVAILABLE, AND MAKES NO REPRESENTATIONS OR WARRANTIES OF ANY KIND CONCERNING THE LICENSED MATERIAL, WHETHER EXPRESS, IMPLIED, STATUTORY, OR OTHER. THIS INCLUDES, WITHOUT LIMITATION, WARRANTIES OF TITLE, MERCHANTABILITY, FITNESS FOR A PARTICULAR PURPOSE, NON-INFRINGEMENT, ABSENCE OF LATENT OR OTHER DEFECTS, ACCURACY, OR THE PRESENCE OR ABSENCE OF ERRORS, WHETHER OR NOT KNOWN OR DISCOVERABLE. WHERE DISCLAIMERS OF WARRANTIES ARE NOT ALLOWED IN FULL OR IN PART, THIS DISCLAIMER MAY NOT APPLY TO YOU.

b. TO THE EXTENT POSSIBLE, IN NO EVENT WILL THE LICENSOR BE LIABLE TO YOU ON ANY LEGAL THEORY (INCLUDING, WITHOUT LIMITATION, NEGLIGENCE) OR OTHERWISE FOR ANY DIRECT, SPECIAL, INDIRECT, INCIDENTAL, CONSEQUENTIAL, PUNITIVE, EXEMPLARY, OR OTHER LOSSES, COSTS, EXPENSES, OR DAMAGES ARISING OUT OF THIS PUBLIC LICENSE OR USE OF THE LICENSED MATERIAL, EVEN IF THE LICENSOR HAS BEEN ADVISED OF THE POSSIBILITY OF SUCH LOSSES, COSTS, EXPENSES, OR DAMAGES. WHERE A LIMITATION OF LIABILITY IS NOT ALLOWED IN FULL OR IN PART, THIS LIMITATION MAY NOT APPLY TO YOU.

c. The disclaimer of warranties and limitation of liability provided above shall be interpreted in a manner that, to the extent possible, most closely approximates an absolute disclaimer and waiver of all liability.

Section 6 -- Term and Termination.

a. This Public License applies for the term of the Copyright and Similar Rights licensed here. However, if You fail to comply with this Public License, then Your rights under this Public License terminate automatically.

b. Where Your right to use the Licensed Material has terminated under Section 6(a), it reinstates:

1. automatically as of the date the violation is cured, provided it is cured within 30 days of Your discovery of the violation; or

2. upon express reinstatement by the Licensor.

For the avoidance of doubt, this Section 6(b) does not affect any right the Licensor may have to seek remedies for Your violations of this Public License.

c. For the avoidance of doubt, the Licensor may also offer the Licensed Material under separate terms or conditions or stop distributing the Licensed Material at any time; however, doing so will not terminate this Public License.

d. Sections 1, 5, 6, 7, and 8 survive termination of this Public License.

Section 7 -- Other Terms and Conditions.

a. The Licensor shall not be bound by any additional or different terms or conditions communicated by You unless expressly agreed.

b. Any arrangements, understandings, or agreements regarding the Licensed Material not stated herein are separate from and independent of the terms and conditions of this Public License.

Section 8 -- Interpretation.

a. For the avoidance of doubt, this Public License does not, and shall not be interpreted to, reduce, limit, restrict, or impose conditions on any use of the Licensed Material that could lawfully be made without permission under this Public License.

b. To the extent possible, if any provision of this Public License is deemed unenforceable, it shall be automatically reformed to the minimum extent necessary to make it enforceable. If the provision cannot be reformed, it shall be severed from this Public License without affecting the enforceability of the remaining terms and conditions.

c. No term or condition of this Public License will be waived and no failure to comply consented to unless expressly agreed to by the Licensor.

d. Nothing in this Public License constitutes or may be interpreted as a limitation upon, or waiver of, any privileges and immunities that apply to the Licensor or You, including from the legal processes of any jurisdiction or authority.


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